# Erros no armário inteligente: 716 falhas em 10 meses

Categoria: Dados e Estatísticas · Publicado: 2026-08-23

Auditoria da frota ZiBox: 716 falhas de porta em 10 meses, 1 a cada 1.052 pacotes. Os números abertos, os limites da medição e o que vamos consertar.

Toda empresa de armário inteligente fala do que funciona. Este texto é sobre o que falha.

Auditamos dez meses de log de erro da frota ZiBox — de 21 de outubro de 2025 a 22 de agosto de 2026 — com um recorte estreito e proposital: **falha de porta**. A trava que não abre, na entrega e na retirada, e a placa serial que comanda essas travas. Ficaram de fora conexão de internet, câmera e vídeo, que são outra conversa.

No período, a frota saiu de 50 para 197 armários. Por isso nenhum número aqui aparece sozinho em valor absoluto: tudo vem normalizado por mil entregas e por armário operante. Contar erro em número bruto numa frota que quadruplicou faz a curva subir sozinha, sem nada ter piorado.

## O resumo em quatro números

- **716** erros de porta em 10 meses, em 8 códigos, 206 armários operantes
- **67,0%** são a mesma falha: a porta não abriu (480 de 716)
- **1 a cada 1.052** pacotes esbarrou em algum desses erros nos últimos 90 dias
- **99,90%** das entregas do trimestre passaram sem encostar em nenhum deles

O último número é um teto, não uma medida fina: são 369 eventos em 388.022 entregas do trimestre, e mesmo que cada um tivesse atingido um atendimento diferente, 99,90% passariam limpas.

## Não é uma curva de melhora. É um patamar.

A taxa sai de 0,37 por mil entregas em outubro de 2025, sobe até cerca de **1 por mil** em março e fica lá, oscilando entre 0,78 e 1,49 até agosto.

Dentro da era em que o dado é confiável — de abril em diante, quando nosso espelho central de dados já existia — a taxa vai de 0,90 a 0,78, com um pico de 1,49 em maio. Não é melhora nem piora. É um patamar.

Duas honestidades sobre essa série:

**O degrau de fevereiro para março não é uma piora.** Ele coincide com nossa migração para o espelho central. Antes dela, o número é piso, não total: armário retirado antes de abril não existe no espelho, e erro que ficou só no banco local do kiosk nunca subiu. A frase honesta não é "piorou 2,5×", é "não dá para comparar as duas eras".

**O pico de maio é um armário num dia.** Maio teve 140 eventos, o mês mais alto da série. Cinquenta deles eram software, e 44 eram o mesmo bug — um erro de tipo ao carregar o histórico de entregas — num único armário, num único dia. Tirando esse dia, maio cai para 0,96 por mil e entra no mesmo patamar dos vizinhos. Numa série de 716 eventos, uma máquina com soluço desloca o mês inteiro.

## Os cinco códigos que importam

Dos 8 códigos, cinco são porta e placa: **647 dos 716 eventos, 90,4%**.

<table>
<thead>
<tr>
<th>Código</th>
<th>O que é</th>
<th align="right">Total</th>
<th align="right">/1.000 entregas (90d)</th>
</tr>
</thead>
<tbody><tr>
<td>RET-003</td>
<td>Na retirada, a porta falhou ao abrir e o sistema já tinha dado baixa</td>
<td align="right">242</td>
<td align="right">0,35</td>
</tr>
<tr>
<td>ETR-004</td>
<td>Na entrega, a porta escolhida não abriu depois de 3 tentativas</td>
<td align="right">215</td>
<td align="right">0,28</td>
</tr>
<tr>
<td>SYS-010</td>
<td>Sensores das portas ou conexão serial durante a operação</td>
<td align="right">93</td>
<td align="right">0,13</td>
</tr>
<tr>
<td>SYS-001</td>
<td>Falha ao abrir a conexão serial no início do fluxo</td>
<td align="right">74</td>
<td align="right">0,12</td>
</tr>
<tr>
<td>ADM-003</td>
<td>Porta falhou ao abrir na retirada pelo painel de admin</td>
<td align="right">23</td>
<td align="right">0,02</td>
</tr>
</tbody></table>

Um detalhe que só aparece quando se olha o sub-tipo: **um código trocou de defeito sem trocar de nome**. No SYS-010, o sub-tipo "sensores das portas" — que cai na tela de admin, em manutenção, sem ninguém sendo atendido — cedeu lugar a "não foi possível estabelecer conexão serial", que cai na tela de operação e interrompe o atendimento em curso. Até fevereiro era 8 contra 1 para sensores; de junho a agosto é 25 contra 21 para conexão. Tratar como um código só esconde a virada: o mesmo número mensal passou a significar uma coisa pior.

## A dor não está concentrada — e isso é ruim

A intuição diz que existe um punhado de máquinas doentes puxando a frota. Não existe.

Nos últimos 90 dias, **126 dos 203 armários operantes passaram o trimestre inteiro sem um único erro de porta**. Dos 77 que tiveram algum, 36 tiveram 1 ou 2 eventos e só 24 chegaram a 5. Os dez piores somam 45,3% dos erros, e a curva acumulada é rasa.

O primeiro colocado em volume é simplesmente o armário que mais trabalha: 33 erros em 12.833 entregas no trimestre, taxa de 0,26 por 100 — abaixo de sete dos outros nove da lista.

E a lista troca inteira de um trimestre para o outro. Sete dos dez piores de hoje tinham 4 erros ou menos no trimestre anterior; dois tinham zero. O maior do trimestre passado caiu de 40 erros para 15. Perseguir a lista de hoje conserta o sintoma de hoje. **O que se repete é a natureza do defeito, não o endereço.**

## Não é desgaste — é o contrário

A intuição também diz que a porta que mais abre é a que mais quebra. É o inverso, por um fator de 38.

Falhas por 100 aberturas, por faixa de uso: 0,0774 nas portas com 1 a 25 aberturas, caindo de forma monotônica até 0,0020 nas portas com mais de 300 aberturas. As 367 portas que nunca abriram tiveram zero falhas.

No mesmo sentido: **armário novo falha mais** — 1,23 falha por mil entregas no primeiro bimestre de operação, contra 0,25 a 0,80 nos maduros. E **porta XL falha 5 vezes mais** que P, M e G: 8,89% das XL contra cerca de 1,7% das outras três, que são indistinguíveis entre si.

A leitura é que a falha de porta é, em boa parte, um problema de assentamento e calibragem inicial — não de fim de vida.

## Uma leitura que o banco convida a fazer — e que está errada

O pedido original era separar erro de hardware de erro de operação. A resposta honesta é que nosso log de erro não sabe responder isso: nos 8 códigos, o balde "operação" é zero. Nenhum deles descreve gente errando — o log registra a máquina falhando.

Para medir erro humano foi preciso trocar de fonte: o padrão de uso das entregas e retiradas. E aí apareceu uma armadilha que vale contar, porque quase virou manchete deste texto.

O banco registra 118 "reatribuições" por trimestre, e em 108 delas o apartamento de destino muda. Lido cru, isso parece **108 pacotes na porta errada**. Não é. Reatribuição é o fluxo de **correção de cadastro** — o destino do registro é reapontado — e não o entregador depositando o volume na gaveta de outro morador.

O que confirma isso no próprio dado é o teste direto: procurar uma retirada com apartamento ou torre diferente da entrega encontra **1 caso em 835.118 retiradas**. Se 108 pacotes por trimestre estivessem fisicamente no apartamento errado, esse teste acharia. Ele não acha. **Entrega física no apartamento errado não é um modo de falha mensurável desta frota.**

Fica o registro do quase-erro: um campo mal interpretado teria produzido uma manchete alarmante e falsa a partir de dados corretos. É o tipo de coisa que só a operação que conhece o fluxo consegue barrar.

Um achado que sobrevive, esse sim: das 104 reentregas desde 13 de julho, **77 (74%) são a mesma coisa** — a senha do apartamento abre todas as gavetas daquele apto de uma vez, e o morador leva um volume e esquece o outro dentro. Não é falha de equipamento nem descuido isolado. É o desenho do fluxo produzindo o mesmo erro repetidamente.

E um negativo que fecha bem: lançamento para apartamento inexistente **não acontece** — zero em 386.704 entregas de 90 dias.

## O que o morador sente

Erro não é dano. A distância entre os dois é o ponto principal.

Quando a trava falha na retirada, existe um trilho de recuperação: a tela mostra o erro e pede que a pessoa ligue, o time de suporte é avisado, e o operador abre e testa a porta remotamente. O custo real não é o morador na mão — é uma ligação, um atendimento e um registro errado no banco.

**Mas isso é o procedimento, não a taxa de sucesso dele.** Nosso banco confirma esse trilho em apenas 9 dos 137 casos do trimestre. Os outros 93% acontecem por caminhos que não voltam para o sistema: chave física, painel no próprio armário, o zelador entregando na mão. Não conseguimos, hoje, separar por consulta o pacote que foi resgatado do que ficou trancado. Esse buraco é o que custa caro.

Descartada a entrega no apartamento errado, que não se sustenta no dado, sobra **uma** consequência material no recorte deste relatório: a porta que não abriu na retirada. Foram **137 moradores em 388.022 entregas de 90 dias** — um a cada 2.832.

Poucos o bastante para sumirem na média de qualquer indicador agregado. É por isso que a média não serve para achá-los, e é por isso que a auditoria foi feita evento a evento.

## E os pacotes que ficam parados?

Das 386.755 entregas de 90 dias, 2.647 (0,684%) não têm retirada registrada — mas **2.548 são dos últimos 7 dias**, ou seja, o morador ainda vai buscar. Só **36 têm 30 dias ou mais**, em 20 armários.

Vale dizer o que esses casos são e o que não são: em boa parte é encomenda que o próprio prédio prefere deixar na gaveta, não falha do armário. Não entram na conta de dano acima.

## O que não conseguimos medir

Nenhuma auditoria honesta termina sem esta seção.

**47% dos RET-003 não dizem qual porta falhou.** Toda contagem de porta reincidente é piso. O buraco é estável desde novembro de 2025, então não é regressão nova — é instrumentação que nunca existiu. E agora dói mais, porque esse virou o maior código do relatório.

**A coluna de informação de hardware está vazia em 263 de 263 armários.** Não há como testar lote de placa, modelo de máquina ou fornecedor contra taxa de falha. Enquanto ela não for preenchida, "é um lote ruim de placa" é palpite, não hipótese testável.
